CONHEÇA: "REZADEIRA - O CASO DA FAMÍLIA CABRAL"

Uso questionável de panfletos políticos em período de campanhas eleitorais (Artigo de Opinião)

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Em período de eleições, as campanhas publicitárias dos políticos no Brasil, são parecidas todos os anos. Propagandas de candidatos a prefeitos, vereadores, e presidentes, são veiculadas na televisão, rádio, internet, jornais, carros de som e panfletos. Destaque para este último meio de comunicação. Muito utilizados, os populares “santinhos” ajudam a divulgar e reforçar a memória dos eleitores quanto ao número de voto dos candidatos, além de garantir uma ostentação permanente de propostas. Porém, eles são distribuídos de maneira desenfreada e, por vezes, inadequada.


A origem do vocábulo vem do século XII, Inglaterra, com a circulação de um poema de autoria anônima. Ele era escrito em latim e intitulado pamphilus. Foi traduzido para o inglês pamphlet (nosso conhecido ‘Panfleto’, em português). No Brasil do século XIX, a comunicação por meio de panfletos influenciou o ambiente político do país por meio da denúncia, da cobertura dos fatos e da panfletagem política e sindical. Com a conversão das sociedades ocidentais para sociedades midiáticas, o discurso televisivo passou a ser referência modeladora do discurso político, força estruturante das propagandas via panfletos, rádio, jornais, comícios e demais mobilizações de massa.

Atualmente, os panfletos são usados com a finalidade de alterar a probabilidade do comportamento do receptor como consumidor. Nesse sentido, quanto à escolha de candidatos a cargos eleitorais, eles buscarão essencialmente persuadir o transeunte. Os “santinhos” se constituem, basicamente, de uma foto sorridente do candidato, nome, número para voto e uma frase de efeito. O importante é que pareçam simpáticos, honestos, confiáveis e determinados, afinal é isso o que irá garantir a eficiência da publicidade, com a qual se faz uma espetacularização da política; como disse Maquiavel, em O Príncipe, é mais importante parecer ser, do que ser, de fato.

Os santinhos ajudam os eleitores a memorizar os números dos seus candidatos favoritos, ou tê-los guardados até decidir em qual votar. Nas eleições de 2014, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE/RN) recomendou que os eleitores levassem uma "cola" com o número dos candidatos para a votação (excluindo-se o uso de santinhos para a “cola”), o que demonstra a dificuldade existente para decorar os números. Dessa forma, os panfletos se mostram uma alternativa não só para os candidatos garantirem os seus votos, mas também para os eleitores. O problema é que a concorrência para ganhar a atenção dos eleitores e evitar a comoditização é tão eufórica que são deixados de lado princípios éticos, os quais, paradoxalmente, ajudam a caracterizar uma imagem negativa dos candidatos, suas verdadeiras faces nos bastidores do teatro.

A comunicação é uma poderosa ferramenta de persuasão. Fazer panfletagem pode parecer uma ação simples e fácil, mas não deve ser negligenciada e desenvolvida de qualquer maneira. Segundo o Dicionário Aurélio, “comunicação é o ato ou efeito de comunicar-se. Emitir, transmitir e receber mensagens por meio de métodos e/ou processos convencionados, quer através da linguagem falada ou escrita, quer de outros sinais, signos ou símbolos, quer de aparelhamento técnico especializado, sonoro e/ou visual”. Por esse motivo, um bom desempenho na entrega de panfletos está diretamente relacionado à abordagem dos distribuidores na rua e a produção dos mesmos. Não é apenas entregar um papel, além de que não é só um papel, é um conjunto de fatores somados a melhor maneira de usar a linguagem verbal e não verbal nessa ação. Caso contrário, o resultado não será positivo. É preciso êxito no espetáculo.

Primeiro, os panfletos não devem ser usados como o principal meio de se chegar às pessoas. É recomendável a utilização paralela dos panfletos com outras mídias. No caso de uma marca consolidada, esse fator desperta maior interesse ao anúncio.

E porque não comparar um político a uma marca? Afinal, como diria Wilson Gomes, os políticos precisam se tornar uma marca. Em Crato (município no qual moro e tomarei cenário para análise), é visível nos panfletos o empenho em desenvolver essa marca, utilizando-se até mesmo da marca de políticos que já tem um maior alcance de eleitores, para ganhar credibilidade. Nas eleições de 2016, por exemplo, Zé Ailton utilizou da imagem de Lula em seus panfletos para alavancar a sua credibilidade, quando o ex-presidente compareceu ao município.

Outro elemento importante refere-se ao local onde se panfleta. Além dos pontos onde se concentram grande número de interessados pelo mesmo assunto, faz diferença, para a aceitabilidade, se nestes locais os receptores estão tranquilos ou estressados, apressados.

Atitudes de intromissão por parte dos entregadores também pode gerar resultados negativos. Devem ser evitadas entregas incisivas e indelicadas, ou em locais onde o receptor não teve respeitado o seu direito de não aceitar o anúncio, como em para-brisas de carros. É importante entender que a imagem dos entregadores está diretamente relacionada à imagem dos políticos para os quais trabalham, mesmo que de forma sutil.

Existe maior receptividade quando a abordagem ocorre por um profissional uniformizado e o design do panfleto desperta interesse e curiosidade. A insistência na abordagem pode acarretar desperdício, havendo três destinos para os panfletos: descarte, armazenamento ou repasse a outras pessoas.

Restringindo a panfletagem em campanhas eleitorais em Crato, alguns entregadores usam camisas da figura política para a qual estão trabalhando, mas isso é raro. Na maioria das vezes os entregadores (que geralmente não tem conhecimento sobre marketing, propaganda ou mesmo comunicação) estão vestidos de forma comum, como no dia a dia. Eles fazem panfletagem de porta em porta e em locais públicos; praças, postos de saúde, feira, etc. Se limitam ao ato de entregar e fazer o pedido do voto para determinado político de forma simples e direta. Nas ruas, de porta em porta, é mais comum carros de som, com o qual o motorista ao mesmo tempo em que propaga informações sobre determinado político utilizando do som, também entrega panfletos. A entrega dos panfletos ocorre em paralelo com divulgações na televisão, rádio e internet.

Nesse sentido, a distribuição desses panfletos não acontece de maneira adequada na cidade. Um grande número dos santinhos é descartado logo após o recebimento, se torna poluição visual. Isso é visível, após períodos eleitorais, através da quantidade imensurável de santinhos nas ruas da cidade. Tem-se, então: ruas e calçadas escorregadias, propícias a acidentes; desperdício de papel; poluição visual; um impacto ambiental preocupante, ainda mais se forem analisados e somados a casos parecidos em outras cidades do Brasil (existem várias reportagens que registram isso), elevando o problema a um nível nacional.

O descarte dos panfletos se deve, além de ao despreparo dos entregadores, à distribuição desenfreada, principalmente em comícios e passeatas, onde, evidentemente, existem mais panfletos do que o número de pessoas presentes. Nas passeatas, os santinhos são jogados proposital e diretamente nas ruas, fazendo “chuvas” de panfletos.

Até crianças chegam a receber os santinhos, posteriormente os utilizando de forma lúdica, como fonte de diversão; “figurinhas”. E este não é um comportamento restrito ao Crato. Em Caicó, cidade do Seridó potiguar, o dono de uma gráfica produziu nas eleições passadas um álbum de figurinhas com os candidatos da sua cidade, o álbum fez sucesso com as crianças, jovens e adultos. Pode-se dizer que foi uma maneira de evitar desperdício.

Segundo dados do IBGE, em 2016 o Crato possuía uma população estimada de 129.662 habitantes. Milhões de santinhos são produzidos por candidatos a prefeitos e vereadores no município, o que equivale a um gasto considerável, especialmente com santinhos, na campanha eleitoral. Um gasto desnecessário, pois, estabelecendo uma comparação, leva mais prejuízos para a população do que benefícios.

Entretanto, não é descartável o fato de ser vantajoso para os políticos terem os seus números de voto nas ruas próximas aos locais de eleição, nos dias de eleições, embora seja isto ilegal, segundo a Justiça Eleitoral.

A má utilização dos santinhos não vem de hoje. Basta uma conversa com os moradores para ter conhecimento de que a inadequada distribuição perdura há anos. A justiça eleitoral definiu para o ano de 2016, no Crato, um limite de 5.000 santinhos na escala de impressão para cada candidato, entretanto, a distribuição desenfreada permaneceu, denotando que foi impresso bem mais do que isso.

Em resumo, a propaganda política com a panfletagem precisa ser repensada na cidade de Crato. Apesar dos santinhos possuírem um design padrão bem desenvolvido, vale a pena buscar inovação. Os entregadores devem ter um preparo especial para a atividade, vestirem-se de maneira adequada para a mesma. A impressão dos santinhos poderia ser feita em menor escala e a sua distribuição de modo conscientizado, evitando desperdício de papel, dinheiro, poluição visual e propaganda ilegal através das ruas nos locais de voto. De qualquer forma, os santinhos não são uma opção descartável, afinal é uma maneira de fazer a marca ser notada, de capturar a atenção e fazer os receptores se tornarem seus consumidores, pois, como diz Wilson Gomes, é isso que interessa ao sistema produtivo.


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Conheça os acontecimentos que, segundo José Ortega y Gasset, contribuíram para o surgimento do homem-massa


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Conforme Ortega y Gasset, depois da 1ª Guerra Mundial acontece o êxodo rural, as pessoas imigraram do campo para a cidade a procura de melhores condições de vida. Ocorre uma aglomeração claramente visível na cidade e o lugar das minorias passa a ser ocupado pela massa. Multidões que antes eram divididas de forma proporcional geograficamente, agora compartilham de um único determinado espaço. As multidões roubam o lugar dos protagonistas; as vozes destes se vão e passa a existir somente o coro.
É importante explicar que o conceito de multidão é quantitativo e visual. Ortega y Gasset, ao converter a ideia de multidão para a terminologia sociológica e chegar a ideia de massa social, apresenta esta numa determinação qualitativa: “é a qualidade comum, é o mostrengo social, é o homem enquanto não se diferencia de outros homens, mas que repete em si um tipo genérico”, este seria o homem médio.
Entretanto, Ortega y Gasset diz que “o homem que agora tenta pôr-se à frente da existência europeia é muito diferente daquele que dirigiu o século XIX, mas foi produzido e preparado no século XIX”. O autor explica que nesse “mundo” do século XIX e começo do século XX encontravam-se perfeições e amplitudes, que sugeriam aos seus habitantes uma segurança tremenda de que dali em diante tudo seria ainda melhor, como se fosse crescer inesgotavelmente. Em a Rebelião das Massas, é dito que o mundo do século XIX e começos do século XX acomoda o homem, o qual é, inclusive, comparado a uma criança mimada.
Sobre isso, Ortega y Gasset defende que influenciou no que vemos hoje: dificilmente se encontra um homem que duvide que a tendência do mundo tecnológico seja sempre avançar. Está diluída na cabeça das pessoas a ideia de que vivemos em um mundo técnica e socialmente perfeito, produzido pela natureza, o que é um absurdo, pois foi o esforço de outros que o produziu.
Outro fator ao qual José Ortega y Gasset chama atenção para o surgimento do homem-massa é o fato da especialização dos indivíduos no séc. XIX, mais precisamente “quando em 1890 uma terceira geração assume o comando intelectual da Europa”, que é o momento onde “encontramos com um tipo de científico sem exemplo na história. É um homem que [...] conhece apenas determinada ciência, e ainda dessa ciência só conhece bem a pequena porção em que ele é ativo investigador”. Ortega y Gasset vai ainda, entretanto, dizer que “ao especializá-lo a civilização o tornou hermético e satisfeito dentro de sua limitação; mas essa mesma sensação íntima de domínio e valia o levará a querer predominar fora de sua especialidade”, levando o homem a ser homem-massa, ainda que oposto ao homem-massa enquanto dentro de sua especialidade, o que é ínfimo se comparado a todas as outras esferas da vida.
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Objetificação e descarte, uma realidade na terceira idade

Calixto, deficiente visual morador da Comunidade Recanto da Paz.

Em Crato, Ceará, na Vila São Bento, onde a poeira sobe com facilidade das ruas de terra, sem calçamento, encontra-se a conhecida “Comunidade Recanto da Paz”, razão social: “Casa de Acolhimento e Assistência ao Idoso”. O projeto foi fundado em  2016 por Francisco de Assis e Gilmar da Silva em substituição ao seu precursor, que se direcionava à reabilitação de usuários de drogas, iniciado também na vila São Bento, no ano de 2000. O motivo da extinção do projeto anterior, segundo Gilmar, foi a falta de condições financeiras da equipe organizadora para mantê-lo. Agora, além das doações, a Comunidade Recanto da Paz conta com o dinheiro da aposentadoria dos seus moradores. Embora não seja sempre o suficiente para arcar com tudo (alimentação, medicamentos, produtos de higiene, profissionais que trabalham na casa, aluguel da casa, etc), ainda é possível manter o lugar com esforço.

O estabelecimento conta com dois imóveis na propriedade arborizada; um grande dormitório coletivo, onde cada um tem sua cama, armário e pertences, e uma casa dividida da seguinte forma: um escritório para a equipe organizadora, recepção, cozinha, dispensa, banheiro e varanda. Além disso, parte do pequeno terreno é reservada a policultura destinada ao consumo próprio. O cultivo dos vegetais fica sob a supervisão do tesoureiro “Tico”, são eles manga, cajú, acerola, banana, mamão, quiabo, feijão, macaxeira, e erva cidreira para o chá cotidiano.
A estrutura de alvenaria é simples, segue o modelo parecido do que comumente se encontra em sítios da região. Tetos divididos em duas águas, piso de cimento queimado, paredes brancas, varanda ao redor… Não dispõem de uma estrutura voltada a acessibilidade. Tudo é muito bem limpo e organizado. A propriedade é cercada por um muro de cerca de 2,5 m.
O presidente do atual projeto é o Francisco Gilmar da Silva. Ele chegou a casa de acolhimento em 2009. Antes pastoreava a Igreja Luterana em Mauriti / CE, até que o presidente do antigo projeto, também pastor, o convidou para ajudar no trabalho com os dependentes de “álcool e drogas”. Gilmar, então, conseguiu um substituto para si na igreja da qual fazia parte e se dedicou integralmente ao convite do amigo. Participou das mudanças que ocorreram posteriormente e na definição do trabalho que desenvolveriam; Houve um estudo antes de iniciarem as atividades. Na cidade não existiam projetos de acolhimento para idosos de ambos os sexos, apenas feminino, apesar da constatada demanda para o sexo masculino também. Hoje, a Comunidade Recanto da Paz asila 20 idosos e somente aceita do sexo masculino, para compensar a demanda não atendida na cidade.
A principal mudança constatada após a transição, segundo Francisco Gilmar, é que depois de alguns meses se espera a recuperação e retorno dos dependentes ao seio da família, reintegração a sociedade. Com os senhores de idade a filosofia é totalmente diferente; além do cuidado distinto, é necessário atenção constante até onde for possível oferecê-la.
Sentada na varanda do imóvel, a técnica em enfermagem Eliângela Sampaio, 36 anos, contou que foi convidada por sua irmã para trabalhar na Comunidade quando estava no fim do seu estágio. Durante o curso, sempre se interessou e dedicou mais à área de saúde coletiva, logo, foi uma boa oportunidade. O trabalho proporcionou a Eliângela um vínculo com os moradores da casa de acolhimento. Todos os técnicos fazem plantões de 12 horas (alternando os dias da semana entre eles). Ela confessa ser puxado o trabalho, pois, além de um deficiente visual, a maioria dos idosos tem problemas de locomoção e fala; a comunicação é difícil, como com crianças que ainda não aprenderam a falar, mas tem suas vontades e necessidades a serem atendidas. É de suma importância muita atenção e paciência; isso Eliângela afirma poder oferecer. Ela conhece cada um dos senhores, seus nomes, costumes e personalidades. 

Dôra trabalha na Comunidade Recanto da Paz há 1 ano

Como uma boa família envolve muito amor, nessa família, formada a partir da Comunidade, não é diferente. A cozinheira Maria das Dores, contou que aquela é a sua segunda casa e brincou ao confirmar que na sua cozinha só quem pode mexer é ela. Mesmo quando está fora do expediente, com suas preocupações particulares, “Dôra”, como a chamam, se vê imaginando sobre o que está acontecendo dentro da casa de acolhimento. Lá ela não apenas cozinha, se os técnicos precisam de ajuda em outros cuidados com os idosos, a mulher se faz presente para oferecer esforços extras.
Enquanto Maria das Dores preparava o almoço, disse como funcionava a alimentação do local. O cardápio é variado, para proporcionar riqueza em ternos de nutrientes e evitar enjoo de algum alimento. Sucos e vitaminas compõem as bebidas oferecidas. Tudo natural, por vezes proveniente do que é cultivado lá mesmo. 

"Eu que não deixaria meus pais aqui! Cuidaram de mim a vida inteira... O mínimo que posso fazer é retribuir o amor" diz Tiânia.

A auxiliar de limpeza Tiânia, em uma conversa na lavanderia, explanou sobre o amor e dedicação envolvidos no projeto, mas não deixou de lado a fatia negativa da situação. A maioria dos familiares dos idosos vai lá, toma conhecimento das situações e ajuda quando pode. A triste realidade é que alguns deles não recebem visita nenhuma; simplesmente foram abandonados para ali se asilarem.
Os casos de acolhimento são diversos. Uns foram deixados pelos familiares, para sempre ou por certo período, devido à impossibilidade de tempo para cuidar. Outros estão ali por determinação judicial, por denúncia de não terem tido mais capacidade de morar sozinhos, ou por terem sofrido maltrato. Naquela amanhã, o semblante dos idosos era de cansaço. Alguns sorriam ao conversar, outros cochilavam sentados. Metade deles assistia ao seriado do Chaves em uma varanda, enquanto, em outra, o restante descansava sentado em silêncio. Durante a semana, passam o tempo assistindo televisão ou com jogos, como dominó.
A exceção dos que assistiam ao seriado na varanda com tevê, era o cadeirante Valdemar. Ele lia uma revista, debruçado sobre a mesa repleta de impressos, revistas, jornais e livros. Mas seu gosto pelas palavras não estava na literatura, que era o impresso predominante na mesa. O interesse dele era jornalismo; ler notícias policiais ou reportagens culturais. Valdemar explicou que morava no Bairro Seminário, dando a entender que não estava ali por muito tempo. Logo que lhe foi solicitada uma foto, advertiu ser preferência se manter no “anonimato”, como se acreditasse no seu potencial para ser uma figura célebre, então apenas aceitou ser fotografado com o rosto fora do enquadramento.
 

Ao conhecer a Comunidade Recanto da Paz, é visível a dedicação e força de vontade em fazer o bem por parte de todos os envolvidos. Cuidar de pessoas na terceira idade que não cabem na rotina de suas próprias famílias não é um fardo; é tido como uma alegria, um objetivo de vida ou uma missão divina. Apesar disso, é importante ter o conhecimento de que ajudas são sempre bem-vindas, uma vez que nem tudo são flores e as doações recebidas hoje são insuficientes.
Sobre sua experiência no lugar, o presidente Francisco Gilmar, concluiu com um discurso sobre aprendizado, fé e gratidão a Deus, pela missão que lhe foi confiada. A vida é muito “fácil” enquanto temos saúde, família e amigos. Com a chegada da velhice, a estabilidade pode evaporar. “Muitas vezes nem a própria família lhe quer mais no ceio. Não quer mais tá ali junto de você; muitas vezes parece que acaba a responsabilidade com você; você se torna um objeto e não mais um ente querido! E é por isso que eu dedico meu tempo. Deus me deu tempo. Dedico tudo o que Deus me proporcionou pra isso, sabe?! Deus me deu um 'resto’ de saúde e eu quero ir até onde não puder mais” disse Gilmar, “pra mim, cuidar de vidas, de almas, é importante. Eu não vivo, eu não consigo viver sem isso; pra mim é tudo”.
 

O ser humano nasce, cresce, reproduz e morre. É este o ciclo ensinado nas aulas fundamentais de ciência. Durante a passagem do processo acontece algo inevitável: o envelhecimento. A expectativa de vida cresceu no Brasil em seus últimos anos, então o número maior de cidadãos na terceira idade é uma consequência. Parte deles estão em asilos, casas de acolhimento. Por mais que seja duro dizer, a realidade é que, tomando como exemplo a Comunidade Recanto da Paz, muitos apenas aguardam morte. Se estão ali por erros cometidos, é pauta para reflexão o merecimento da morte com desprezo por parte daqueles — possíveis filhos e netos — com quem talvez compartilharam amor em algum momento. É um assunto muito delicado e por vezes particular. Mas algo é certo, os asilos estão enraizados em nossa cultura.

Meu conto de horror, Rezadeira - O Caso da Família Cabral, ganha adaptação para áudio peça



Não tem como me conhecer e não conhecer Rezadeira - O Caso da Família Cabral, porque é uma publicação minha que trato praticamente como um filho, parido em 2016 na Amazon e hoje disponível em formato físico para vendas. A adaptação ainda não foi lançada (previsão para o fim deste mês), mas já temos um teaser disponível no YouTube. foi roteirizada e produzida durante o fim de outubro e início de novembro, com orientação da querida professora do curso de Jornalismo da UFCA, Débora Costa. O roteiro é fruto de um trabalho meu em parceria com Sávio Emanuel. A produção ficou por conta de Espedito Duarte, Deize Lisboa e Richardson Leite (sem contar que eles deram ótimas sugestões para aperfeiçoar o roteiro), sendo que os dois últimos também integraram o elenco composto ainda por: Placido Andrade, Emily, Emanuel Máximo, e eu (que fiz uma curta participação). O trabalho de edição esteve nas mãos do técnico Paulo Victor.

A adaptação gerou um resultado realista e cheia de efeitos especiais. Pra quem curti podcasts, áudio book, rádio, creepypastas ou queira alguma experiência com produções sonoras, vale muito, muito a pena. O trabalho da equipe ficou incrível. Segue abaixo o vídeo incorporado do YouTube (ah, a peça completa será publicada lá, então se inscreve e clica no sininho pra receber a notificação quando sair, tá bom?! <3 ). Não esquece de comentar o que achou do Teaser ^^